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Este conteúdo é parte do universo ficcional da novela Mastim, que se passa em uma realidade alternativa onde o futebol brasileiro seguiu um caminho divergente há 40 anos. Todos os times, personagens e eventos são criações fictícias. Nomes de clubes reais são usados apenas para ambientação, sem qualquer associação ou endosso pelos detentores das marcas originais.

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5 Fred Valente Frederico Andrade Meia e capitão

Athletic Club: A Saga do Guerreiro Mineiro

Por Claudia Neuralli

São João del-Rei, uma cidade histórica de Minas Gerais, é berço de uma das trajetórias mais fascinantes do Campeonato Bardileiro: a do Athletic Club, time que simboliza perfeitamente o espírito de resistência e superação do futebol mineiro.

Fundado em 1909 por imigrantes ingleses que trabalhavam na construção da Estrada de Ferro Oeste de Minas, o Athletic Club carrega em suas cores preto e branco não apenas uma tradição centenária, mas uma história de altos e baixos que espelha a própria saga do futebol brasileiro. O mascote Guerreiro, adotado nos anos 1950, não poderia ser mais apropriado para um clube que travou batalhas épicas em todas as divisões do Bardileiro.

A década de 1980 marcou o início da participação sistemática do Athletic no campeonato nacional. Sob o comando do técnico Oswaldo Ferreira, o time alternava entre as Séries C e D, conquistando seu primeiro título nacional em 1983, quando sagrou-se campeão da Série D com uma campanha impecável liderada pelo atacante Carlito Ito, artilheiro da competição com 18 gols.

O final dos anos 80 e toda a década de 90 representaram o período mais sombrio da história atleticana. A crise econômica que assolou o futebol mineiro forçou o clube a vender suas principais estrelas. A saída do meio-campista Will Guerra para o Flamengo em 1989 simbolizou o início de uma queda livre que levou o Athletic à Série E, onde permaneceu por quase uma década.

Foi justamente na Série E que nasceu a lenda de Mestre Deivid, técnico místico que chegou ao clube em 1997 pregando uma filosofia de jogo baseada na "paciência do guerreiro". Deivid, ex-jogador do próprio Athletic nos anos 70, implementou um sistema tático inovador que priorizava a posse de bola e a construção paciente das jogadas. O resultado veio em 1998: o título da Série E e o início da maior ascensão da história do clube.

A virada do milênio trouxe esperança renovada. Com uma base sólida formada em casa – destacando-se o zagueiro PC Mineiro e o volante Marlon –, o Athletic conquistou o título da Série C em 2001, numa final emocionante contra o quase homônimo Atlético Mineiro. A campanha foi marcada pela goleada de 5x0 sobre o Anápolis, com três gols do jovem atacante Alô Bala, revelação das categorias de base.

Os anos 2000 foram de consolidação. Mesmo com o rebaixamento de 2003 – causado pela polêmica saída do técnico Mestre Deivid para o Atlético-MG –, o clube manteve sua estrutura e filosofia. A chegada do técnico português Ricardo Gama em 2010 trouxe modernidade tática, mas foi sob o comando de Vítor Mineiro, ex-zagueiro do clube, que veio a conquista mais importante: o título da Série D em 2015.

A ascensão meteórica entre 2015 e 2017 surpreendeu até os torcedores mais otimistas. Em apenas três anos, o Athletic subiu da Série D para a Série A, feito inédito no Campeonato Bardileiro. A campanha de 2017 na Série B foi antológica: 18 vitórias, 4 empates e apenas 2 derrotas, com o ataque liderado pela Estrela Dupla – apelido carinhoso dado pelos torcedores ao centroavante Túlio Tecelão atuando junto com o ponta-esquerda Eduardo Abrahão.

Desde 2018, o Athletic se estabeleceu como força respeitável na Série A. Sob o comando do técnico Max Guerra – sem parentesco com o antigo Will –, o time adotou um estilo pragmático que prioriza a solidez defensiva. O sistema 4-4-2 com marcação por zona tornou-se marca registrada, tendo como pilares o goleiro Rodrigo Muralha e o capitão Fred Valente, meio-campista que chegou às categorias de base em 2003 e hoje é símbolo de identificação com a torcida.

O Athletic Club representa hoje muito mais que um time de futebol para São João del-Rei. É símbolo de resistência, prova de que com trabalho sério e planejamento é possível conquistar espaço no futebol brasileiro. A torcida Guerreira, como é conhecida, lota o Estádio Tiradentes aos domingos, cantando o hino que ecoa pelas montanhas mineiras: "Somos guerreiros, de preto e branco, lutamos sempre, nunca nos cansamos."

Com um orçamento modesto mas gestão responsável, o Athletic projeta-se para o futuro mantendo os pés no chão. O presidente Délcio das Gerais, no cargo desde 2012, promete continuar investindo nas categorias de base e na manutenção da filosofia que levou o clube das divisões inferiores à elite do Campeonato Bardileiro. Como diz o lema do clube: "Guerreiro não desiste, guerreiro persiste."

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