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Este conteúdo é parte do universo ficcional da novela Mastim, que se passa em uma realidade alternativa onde o futebol brasileiro seguiu um caminho divergente há 40 anos. Todos os times, personagens e eventos são criações fictícias. Nomes de clubes reais são usados apenas para ambientação, sem qualquer associação ou endosso pelos detentores das marcas originais.
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Disputando a Série D. Camisa da Alcyone, com patrocinadora master Zebu Farm. Sob comando do técnico Max Ramon.
| Camisa | Nome | Nome Completo | Detalhes |
|---|---|---|---|
| 2 | Pacheco Jr | Tobias Pacheco Junior | Ponta, vindo do Retrô |
| 4 | Osvaldo | Osvaldo Bacelar | Veio do Interporto |
| 5 | Neto | Márcio Neto | Veio do Cricatis |
| 7 | May | Lucas May | Veio do Orlando City (USA) |
| 8 | Durval Prado | Durval Prado | Veio do Juazeiro |
| 10 | Rei | Reimão Sato | Veio do Ferroviária |
| 14 | Moreira | Patrick Moreira | Zagueiro, vindo do Itabirito |
| 24 | Ralftoon | Ralf Dantas | Lateral, vindo do Botafogo |
| 31 | Will | William Pereira | Ponta, vindo do Outonal |
| 32 | Raphael | Raphael Oliveira | Atacante, da base |
Por Claudia Neuralli
Há clubes que nascem das elites. Há aqueles que surgem de fábricas. E há o Clube de Regatas Brasil, fundado em 1912 na Pajuçara maceioense, que nasceu literalmente da água — das remadas ao amanhecer, quando pescadores e trabalhadores portuários treinavam antes do sol nascer sobre o Atlântico. O CRB carrega no peito o Galo de Campina, símbolo de quem acorda antes dos outros, de quem canta quando ainda é noite. E sua trajetória no futebol bardileiro é exatamente isso: uma história de madrugadas, de acordar cedo para lutar, de cantar vitória quando tudo parecia escuro.
A entrada do Galo no Campeonato Bardileiro Unificado em 1982 foi de otimismo controlado. O clube estreou na Série B (29º lugar) e nos primeiros anos manteve-se estável, oscilando entre o 22º e o 36º lugar. Era um time competente, que representava Alagoas sem alardes mas com dignidade. O Estádio Rei Pelé, sua casa desde sempre, recebia torcida fiel que cantava mesmo nas derrotas — porque em Maceió, torcer para o CRB é questão de identidade, não de resultados.
Em 1987 veio o primeiro grande momento. O CRB terminou em 12º lugar na Série A, sua melhor posição até então. O time comandado pelo técnico Jerônimo Vaz — ex-lateral do próprio clube que conhecia cada esquina de Maceió — tinha no volante Bóris e no atacante Carlos Fraga suas principais referências. Aquela campanha fez Alagoas inteira acreditar que o Galo finalmente alcançaria voos maiores. Mas o futebol, como o mar de Pajuçara, tem marés.
A queda começou em 1988 (19º) e se acentuou dramaticamente nos anos seguintes. Entre 1990 e 1996, o CRB despencou da Série A até a Série D, tocando o fundo em 1997 ao terminar em 94º lugar, penúltimo da Série E. Foram quase dez anos de agonia, nos quais o clube que representara Alagoas na elite passou a disputar vagas contra times amadores de cidades que mal apareciam no mapa. A torcida, porém, não abandonou. Nas arquibancadas semivazias do Rei Pelé, os fiéis continuavam cantando: "CRB é amor, é paixão, é o galo que canta no meu coração".
O renascimento veio em ciclos. Entre 1998 e 2002, o CRB oscilou entre as Séries D e E, sem conseguir estabilidade. Mas em 2003 começou uma lenta recuperação. O clube subiu gradualmente — 69º em 2003, 66º em 2004, 72º em 2005 — até que em 2011 alcançou a Série D (68º). Não era brilhante, mas era progresso. E no futebol do Nordeste, onde recursos são escassos e promessas abundantes, progresso já é conquista.
O grande salto veio entre 2011 e 2013. Sob o comando do técnico Sydney Morais — que implementou um futebol de marcação alta e contra-ataques velozes — o CRB saltou do 68º para o 2º lugar em apenas dois anos. Foi uma ascensão meteórica que pegou todo o país de surpresa. O vice-campeonato da Série A em 2013 foi construído sobre uma defesa sólida (apenas 19 gols sofridos) e um ataque oportunista liderado pelo artilheiro Jason Borges, que fez 23 gols na temporada.
O título quase veio em 2012, quando o CRB terminou em 3º lugar, a apenas dois pontos do campeão. Era o Galo mais perto da glória máxima do que jamais estivera. Mas foi em 2013 que tudo se alinhou. A campanha do vice-campeonato incluiu vitórias históricas sobre gigantes tradicionais, público recorde no Rei Pelé (mais de 25 mil pessoas em três jogos), e uma identidade tática clara que fazia do CRB um adversário temido.
A conquista do acesso à Série A em 2012 (terminando em 3º) foi celebrada como título. Maceió parou. A orla de Pajuçara encheu-se de torcedores vestidos de branco e vermelho. O Galo finalmente cantava em horário nobre.
Mas a permanência na elite foi breve. Entre 2014 e 2019, o CRB oscilou entre as Séries A, B e C, nunca conseguindo consolidar presença em nenhuma divisão. A instabilidade administrativa — três presidentes em cinco anos, crises de patrocínio, salários atrasados — cobrou seu preço. Em 2020, o clube caiu novamente para a Série D (59º). Em 2021, despencou para a Série E (80º).
A queda recente foi ainda mais dolorosa que a dos anos 90, porque veio após tanto progresso. Em 2024, o CRB terminou em 2º lugar na Série E, apenas 18 posições acima do último colocado do ranking geral. É uma realidade amarga para um clube que há pouco mais de uma década disputava o título nacional. Felizmente, o bastante para voltar a disputar a Série D no ano seguinte.
O técnico da temporada 2024, Zacarias Pedrosa, chegou em 2023 com a missão de reconstruir. "O CRB não pode aceitar a Série E como destino", declarou em sua apresentação. "Somos grandes demais para isso." Mas grandeza, no futebol alagoano, não se mede em títulos — mede-se em resistência. E o CRB tem resistido há 112 anos.
A base do clube continua produzindo talentos. O volante Elminho e o atacante Raphael, ambos formados na escolinha do CRB, são exemplos recentes de jogadores que saíram de Maceió para brilhar em clubes maiores. Mas a maldição do futebol nordestino persiste: formar para vender, nunca para manter.
Nas arquibancadas do Rei Pelé, a torcida do CRB permanece fiel. Não lotam o estádio como antes — os dias de 25 mil torcedores parecem distantes —, mas os que vão levam consigo a mesma paixão dos remadores de 1912. Porque torcer para o CRB nunca foi sobre estar na elite. Foi sempre sobre acordar cedo, remar contra a maré, cantar quando ainda é noite.