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Este conteúdo é parte do universo ficcional da novela Mastim, que se passa em uma realidade alternativa onde o futebol brasileiro seguiu um caminho divergente há 40 anos. Todos os times, personagens e eventos são criações fictícias. Nomes de clubes reais são usados apenas para ambientação, sem qualquer associação ou endosso pelos detentores das marcas originais.

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Bardileirão 2025

Disputando a Série D. Camisa da Alcyone, com patrocinadora master Zebu Farm. Sob comando do técnico Max Ramon.

Camisa Nome Nome Completo Detalhes
2 Pacheco Jr Tobias Pacheco Junior Ponta, vindo do Retrô
4 Osvaldo Osvaldo Bacelar Veio do Interporto
5 Neto Márcio Neto Veio do Cricatis
7 May Lucas May Veio do Orlando City (USA)
8 Durval Prado Durval Prado Veio do Juazeiro
10 Rei Reimão Sato Veio do Ferroviária
14 Moreira Patrick Moreira Zagueiro, vindo do Itabirito
24 Ralftoon Ralf Dantas Lateral, vindo do Botafogo
31 Will William Pereira Ponta, vindo do Outonal
32 Raphael Raphael Oliveira Atacante, da base

CRB: O Galo que Cantou na Madrugada Alagoana

Por Claudia Neuralli

Há clubes que nascem das elites. Há aqueles que surgem de fábricas. E há o Clube de Regatas Brasil, fundado em 1912 na Pajuçara maceioense, que nasceu literalmente da água — das remadas ao amanhecer, quando pescadores e trabalhadores portuários treinavam antes do sol nascer sobre o Atlântico. O CRB carrega no peito o Galo de Campina, símbolo de quem acorda antes dos outros, de quem canta quando ainda é noite. E sua trajetória no futebol bardileiro é exatamente isso: uma história de madrugadas, de acordar cedo para lutar, de cantar vitória quando tudo parecia escuro.

A entrada do Galo no Campeonato Bardileiro Unificado em 1982 foi de otimismo controlado. O clube estreou na Série B (29º lugar) e nos primeiros anos manteve-se estável, oscilando entre o 22º e o 36º lugar. Era um time competente, que representava Alagoas sem alardes mas com dignidade. O Estádio Rei Pelé, sua casa desde sempre, recebia torcida fiel que cantava mesmo nas derrotas — porque em Maceió, torcer para o CRB é questão de identidade, não de resultados.

Em 1987 veio o primeiro grande momento. O CRB terminou em 12º lugar na Série A, sua melhor posição até então. O time comandado pelo técnico Jerônimo Vaz — ex-lateral do próprio clube que conhecia cada esquina de Maceió — tinha no volante Bóris e no atacante Carlos Fraga suas principais referências. Aquela campanha fez Alagoas inteira acreditar que o Galo finalmente alcançaria voos maiores. Mas o futebol, como o mar de Pajuçara, tem marés.

A queda começou em 1988 (19º) e se acentuou dramaticamente nos anos seguintes. Entre 1990 e 1996, o CRB despencou da Série A até a Série D, tocando o fundo em 1997 ao terminar em 94º lugar, penúltimo da Série E. Foram quase dez anos de agonia, nos quais o clube que representara Alagoas na elite passou a disputar vagas contra times amadores de cidades que mal apareciam no mapa. A torcida, porém, não abandonou. Nas arquibancadas semivazias do Rei Pelé, os fiéis continuavam cantando: "CRB é amor, é paixão, é o galo que canta no meu coração".

O renascimento veio em ciclos. Entre 1998 e 2002, o CRB oscilou entre as Séries D e E, sem conseguir estabilidade. Mas em 2003 começou uma lenta recuperação. O clube subiu gradualmente — 69º em 2003, 66º em 2004, 72º em 2005 — até que em 2011 alcançou a Série D (68º). Não era brilhante, mas era progresso. E no futebol do Nordeste, onde recursos são escassos e promessas abundantes, progresso já é conquista.

O grande salto veio entre 2011 e 2013. Sob o comando do técnico Sydney Morais — que implementou um futebol de marcação alta e contra-ataques velozes — o CRB saltou do 68º para o 2º lugar em apenas dois anos. Foi uma ascensão meteórica que pegou todo o país de surpresa. O vice-campeonato da Série A em 2013 foi construído sobre uma defesa sólida (apenas 19 gols sofridos) e um ataque oportunista liderado pelo artilheiro Jason Borges, que fez 23 gols na temporada.

O título quase veio em 2012, quando o CRB terminou em 3º lugar, a apenas dois pontos do campeão. Era o Galo mais perto da glória máxima do que jamais estivera. Mas foi em 2013 que tudo se alinhou. A campanha do vice-campeonato incluiu vitórias históricas sobre gigantes tradicionais, público recorde no Rei Pelé (mais de 25 mil pessoas em três jogos), e uma identidade tática clara que fazia do CRB um adversário temido.

A conquista do acesso à Série A em 2012 (terminando em 3º) foi celebrada como título. Maceió parou. A orla de Pajuçara encheu-se de torcedores vestidos de branco e vermelho. O Galo finalmente cantava em horário nobre.

Mas a permanência na elite foi breve. Entre 2014 e 2019, o CRB oscilou entre as Séries A, B e C, nunca conseguindo consolidar presença em nenhuma divisão. A instabilidade administrativa — três presidentes em cinco anos, crises de patrocínio, salários atrasados — cobrou seu preço. Em 2020, o clube caiu novamente para a Série D (59º). Em 2021, despencou para a Série E (80º).

A queda recente foi ainda mais dolorosa que a dos anos 90, porque veio após tanto progresso. Em 2024, o CRB terminou em 2º lugar na Série E, apenas 18 posições acima do último colocado do ranking geral. É uma realidade amarga para um clube que há pouco mais de uma década disputava o título nacional. Felizmente, o bastante para voltar a disputar a Série D no ano seguinte.

O técnico da temporada 2024, Zacarias Pedrosa, chegou em 2023 com a missão de reconstruir. "O CRB não pode aceitar a Série E como destino", declarou em sua apresentação. "Somos grandes demais para isso." Mas grandeza, no futebol alagoano, não se mede em títulos — mede-se em resistência. E o CRB tem resistido há 112 anos.

A base do clube continua produzindo talentos. O volante Elminho e o atacante Raphael, ambos formados na escolinha do CRB, são exemplos recentes de jogadores que saíram de Maceió para brilhar em clubes maiores. Mas a maldição do futebol nordestino persiste: formar para vender, nunca para manter.

Nas arquibancadas do Rei Pelé, a torcida do CRB permanece fiel. Não lotam o estádio como antes — os dias de 25 mil torcedores parecem distantes —, mas os que vão levam consigo a mesma paixão dos remadores de 1912. Porque torcer para o CRB nunca foi sobre estar na elite. Foi sempre sobre acordar cedo, remar contra a maré, cantar quando ainda é noite.