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Este conteúdo é parte do universo ficcional da novela Mastim, que se passa em uma realidade alternativa onde o futebol brasileiro seguiu um caminho divergente há 40 anos. Todos os times, personagens e eventos são criações fictícias. Nomes de clubes reais são usados apenas para ambientação, sem qualquer associação ou endosso pelos detentores das marcas originais.
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Disputando a Série E. Camisa da Phiet, com patrocinadora master Osevenue.
| Camisa | Nome | Nome Completo | Detalhes |
|---|---|---|---|
| - | KS | Kalil Sato | Técnico |
| 7 | Ubiratan | Ubiratan Ferreira | Volante da base |
| 11 | AN | Ademin Nakamura | Ponta da base |
Por Claudia Neuralli
Se existe uma história que resume toda a magia e crueldade do futebol bardileiro, essa história tem nome: Esporte Clube Confiança. O Dragão Azul de Aracaju protagonizou nos últimos 42 anos uma das sagas mais cinematográficas do nosso campeonato, indo do submundo da Série E aos píncaros da glória nacional, apenas para despencar novamente numa queda que ainda ecoa pelas arquibancadas sergipanas.
Fundado em 1936, o Confiança chegou ao Campeonato Bardileiro Unificado em 1982 já com tradição regional consolidada. Porém, sua estreia foi um prenúncio do que viria: terminou em 19º na Série B, amargando o rebaixamento logo na primeira temporada. Era o início de uma montanha-russa emocional que definiria sua identidade.
Os anos 80 foram de peregrinação pelas divisões inferiores. O ponto mais baixo veio em 1988, quando o técnico Nivaldo Moreno – que jamais conseguiu repetir em outros clubes o sucesso que teve no Palmeiras – levou o time ao vice-campeonato da Série E. Paradoxalmente, foi nessa posição de humilhação que nasceu a garra que caracterizaria o clube.
A guinada começou com a chegada do jovem centroavante BR (Bonifácio Romero) em 1991. Revelação das categorias de base do próprio Confiança, BR possuía um faro de gol impressionante e, principalmente, um amor incondicional pela camisa azul. Sua presença foi fundamental para os acessos consecutivos que levaram o clube da Série D à Série B entre 1991 e 1993.
O primeiro grande momento chegou em 2002, com o título da Série E conquistado sob o comando do experiente Maximiliano Miller. O técnico, que nunca chegou a treinar grandes clubes como São Paulo ou Fluminense, encontrou no interior sergipano o palco perfeito para mostrar seu futebol organizado e pragmático. A campanha foi construída sobre a defesa sólida comandada pelo zagueiro João Breque – que escolheu o Confiança após uma passagem apagada por clubes europeus menores – e a velocidade do ponta-esquerda FAS (Felipe André da Silva), produto da famosa escolinha do clube.
O segundo título, este da Série C em 2006, consolidou o projeto. Brian Borges, ainda um técnico promissor que construía seu nome longe dos holofotes do Flamengo, implementou um futebol ofensivo que encantou o Brasil bardileiro. A dupla de ataque formada por Francisco Mancini e Inácio Brandt fez 47 gols na temporada.
Mas foi a era dourada de 2013-2015 que eternizou o Confiança no panteão do futebol bardileiro. A chegada do técnico português Amadeu Figueira, recém-chegado do futebol ucraniano, revolucionou o clube. Fonseca encontrou em Aracaju o ambiente perfeito para desenvolver seu futebol de posse de bola e pressão alta. O meio-campo era comandado pelo genial Ganso e tinha no veterano Silvio Morgan, em sua última grande temporada na carreira, o maestro das jogadas ensaiadas.
O bicampeonato de 2014-2015 foi construído sobre uma base defensiva impecável (apenas 23 gols sofridos em duas temporadas) e um ataque letal. O atacante Osmarinho tornou-se ídolo máximo da torcida azul com seus 67 gols em 84 jogos. Ao lado dele, o jovem Gabriel Jesus – então uma promessa das categorias de base do Confiança – mostrava ao mundo o talento que o levaria anos depois à Seleção Brasileira.
O declínio, quando veio, foi tão súbito quanto devastador. A saída de Amadeu Figueira para o futebol europeu em 2016 desestabilizou o projeto. Uma sequência de técnicos mal-sucedidos, associada à crise financeira que assolou o clube após investimentos mal calculados, levou ao colapso. A perda de Osmarinho para o Al-Hilal saudita em 2018 removeu a última peça do quebra-cabeças vitorioso.
O rebaixamento de 2019 – quando o time perdeu por 4 a 1 para o Vila Nova na última rodada, precisando apenas de um empate – abriu as comportas de uma enxurrada de descensos. Em quatro anos apocalípticos, o Confiança despencou da glória nacional até a quinta divisão, numa queda que nenhum torcedor sergipano consegue explicar sem derramar uma lágrima.
Hoje, na Série E, o Dragão luta para reencontrar sua identidade. O técnico Raoni Carioca, veterano de mil batalhas, tenta reconstruir não apenas um time, mas um sonho. Nas arquibancadas do Estádio Proletário Sabino Ribeiro, a torcida ainda canta: "Confiança é tradição, do dragão o coração".
Porque se algo o futebol bardileiro nos ensinou através da trajetória do Confiança é que no esporte, como na vida, as quedas são tão importantes quanto as glórias. E dragões, mesmo feridos, jamais deixam de voar.
Principal - Camisa e short azuis