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Este conteúdo é parte do universo ficcional da novela Mastim, que se passa em uma realidade alternativa onde o futebol brasileiro seguiu um caminho divergente há 40 anos. Todos os times, personagens e eventos são criações fictícias. Nomes de clubes reais são usados apenas para ambientação, sem qualquer associação ou endosso pelos detentores das marcas originais.
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Disputando a Série A. Camisa da Canary, com patrocinadora master Wattol. Sob comando do técnico Nilo Farias.
| Camisa | Nome | Nome Completo | Detalhes |
|---|---|---|---|
| 2 | Harley | Harley Barnes | Vindo do Sport |
| 3 | João Rivera | João Rivera | Veio do Ceará |
| 4 | Jofre Galvão | Jofre Galvão | Zagueiro da base |
| 6 | Rafael Anjo | Rafael Duarte | Centroavante da base |
| 7 | Givanildo | Givanildo Queiroga | Volante da base |
| 8 | Bartolo | Bartolo Mazzanti | Meia armador, vindo de Los Andes (Argentina) |
| 9 | Ragi | Raimundo Gil | Ponta da base |
| 12 | Martin | Martin Villela | Goleiro, vindo do Outonal |
| 16 | Lucélio | Lucélio Jaraguá | Lateral, vindo do Cuiabá |
| 18 | Patrício | Patrício Barletta | Volante da base |
| 19 | B Venegán | Benito Venegán | Meia armador, vindo do Juan Aurich (Peru) |
| 20 | Zué | Josué Alves | Ponta, vindo do Caxias |
| 22 | Nilo | Nilo Khan | Ponta, vindo do KRL FC (Paquistão) |
| 23 | Ed Salim | Edilson Salim | Goleiro, vindo do Ypiranga-RS |
| 24 | Raí | Raí Vitale | Zagueiro da base |
| 26 | A4 | Agon Alves A Almeida | Zagueiro, vindo do Itabaiana |
| 33 | Brunista | Bruno Jordão | Ponta da base |
| 90 | RM Franco | Rafael Miguel Franco | Volante da base |
| 95 | Aldo Colônia | Aldo Georgy | Volante, vindo do Caxias |
Por Claudia Neuralli - Correspondente Esportiva
No coração da Amazônia, às margens do Rio Amazonas, ergue-se uma das histórias mais extraordinárias do futebol brasileiro: a saga do Itacoatiara Esporte Clube, time que transformou as adversidades geográficas e econômicas em combustível para uma ascensão que poucos acreditavam ser possível.
Fundado em 1917 por seringueiros e comerciantes locais, o Itacoatiara nasceu com as cores preto e dourado que simbolizam a riqueza natural da região e a determinação de seu povo. O mascote Tigre, adotado nos anos 1940, reflete perfeitamente o espírito selvagem e imprevisível que sempre caracterizou este clube amazônico no Campeonato Bardileiro.
A entrada oficial no cenário nacional, em 1982, foi marcada por uma campanha surpreendente que rendeu o vice-campeonato da Série D. Sob o comando do técnico Henrique Freire – ex-militar que havia comandado expedições pela Amazônia –, o time impressionou pela disciplina tática e pela força física dos jogadores criados nas várzeas de Itacoatiara. O atacante Boto Dourado, nascido e criado na cidade, terminou como artilheiro da competição com 16 gols, conquistando o respeito dos adversários sulistas.
Os anos seguintes, porém, revelaram a cruel realidade das limitações logísticas amazônicas. As longas viagens de barco e as dificuldades financeiras para manter um elenco competitivo levaram o Tigre a uma queda vertiginosa. Entre 1987 e 1998, o clube amargou mais de uma década na Série E, período que ficou conhecido como "Os Anos de Chuva" – referência às constantes lágrimas da torcida ribeirinha.
Foi justamente neste período sombrio que nasceu a lenda de Araci da Mata, torcedora indígena que se tornou símbolo da resistência itacoatiarense. Todas as tardes de domingo, ela percorria de canoa os igarapés da região convocando os torcedores para apoiar o time no rústico Estádio do Tracajá. Sua dedicação inspirou uma geração de jovens talentos locais que se recusaram a abandonar o clube.
O renascimento começou em 1995, com o vice-campeonato da Série E sob o comando do técnico Jaguaribe, ex-jogador do próprio clube que implementou um estilo de jogo baseado na velocidade e na técnica apurada – características naturais dos meninos criados jogando descalços na areia das praias fluviais. O título da Série D em 1998 marcou o fim do jejum de conquistas e o início de uma nova era.
A virada do milênio trouxe instabilidade. O Itacoatiara viveu um período de montanha-russa entre as divisões, reflexo das constantes mudanças administrativas e da dificuldade em reter talentos que despontavam e eram rapidamente atraídos pelos grandes centros. A passagem relâmpago pela Série B em 2000 durou apenas uma temporada, mas serviu de aprendizado valioso para o futuro.
A verdadeira revolução começou em 2014, com a chegada do empresário paulista Osias Cajado, que se apaixonou pela região durante uma expedição de pesca. Cajado investiu na modernização da estrutura, construiu um centro de treinamento de padrão internacional e, principalmente, criou um programa de valorização dos talentos locais. A filosofia era simples: "O Tigre não precisa sair da floresta para rugir forte."
A contratação do técnico Dominic Zambrano em 2016 foi o catalisador da maior ascensão da história do clube. Ex-volante do Manaus-AM nos anos 90, Dominic conhecia como poucos as peculiaridades do futebol amazônico. Implementou um sistema tático inovador que mesclava a garra cabocla com conceitos modernos de preparação física e análise de desempenho.
A escalada meteórica entre 2016 e 2019 entrou para os anais do Campeonato Bardileiro. Em quatro temporadas consecutivas, o Itacoatiara subiu da Série E para a Série A, feito inédito na competição. A campanha de 2017 na Série D foi antológica: 19 vitórias e apenas 1 derrota, com uma média de 2,8 gols por partida. A dupla de ataque formada por Edu Maranhão e Rafael Anjo – ambos revelados nas categorias de base – tornou-se pesadelo para as defesas adversárias.
O ápice veio em 2019, com a conquista do título da Série B. A final contra o Palmeiras, decidida nos pênaltis no Estádio do Café, ficou marcada pela defesa milagrosa do goleiro Geleira na última cobrança. A comemoração nas ruas de Itacoatiara durou três dias, com fogos de artifício ecoando pela floresta e canoas enfeitadas percorrendo o rio.
Desde 2020, o Itacoatiara se estabeleceu como presença respeitável na Série A. O time de Dominic – que permanece no cargo por opção própria, rejeitando convites de grandes clubes – adota um futebol pragmático mas vistoso, sempre apoiado na velocidade dos pontas e na criatividade do meio-campo. O Estádio do Tracajá, ampliado para 25 mil lugares, tornou-se uma das praças mais temidas do país, com sua atmosfera única embalada pelo som dos tambores indígenas.
O Itacoatiara representa hoje muito mais que conquistas esportivas. É símbolo de que o futebol brasileiro não se limita aos grandes centros urbanos, prova de que talento e determinação podem florescer em qualquer canto do país. Como canta a torcida ribeirinha: "Do Amazonas para o Brasil, o Tigre vem para vencer!"
A trajetória do clube amazônico inspira centenas de pequenos clubes pelo interior do país, mostrando que com planejamento, respeito às origens e trabalho sério, é possível transformar sonhos em realidade. O rugido do Tigre de Itacoatiara ecoa agora por todo o território nacional, lembrando que a força da Amazônia vai muito além de suas riquezas naturais.