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Este conteúdo é parte do universo ficcional da novela Mastim, que se passa em uma realidade alternativa onde o futebol brasileiro seguiu um caminho divergente há 40 anos. Todos os times, personagens e eventos são criações fictícias. Nomes de clubes reais são usados apenas para ambientação, sem qualquer associação ou endosso pelos detentores das marcas originais.
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Disputando a Série A. Camisa da Colonna, com patrocinadora master Drive-in Jr.
| Camisa | Nome | Nome Completo | Detalhes |
|---|---|---|---|
| 6 | Yan Belga | Yann Opsomer | Zagueiro, vindo do RSC Anderlecht (Bélgia) |
| 7 | Johnny Santos | Johnny Santos | Recém-chegado da base |
| 8 | DPM | Daniel Paiva Medeiras | Ponta, da base |
| 14 | Tinga | Delfim Albuquerque | Zagueiro, da base |
| 16 | Gian Emir | Gian Emir Queiroz | Lateral, vindo da Chapecoense |
| 20 | José Mateus | José Mateus Soldo | Ponta, vindo do Vasco |
| 23 | Pedrada | Ralph Calil | Goleiro, vindo do Juazeiro |
| 28 | Hécio | Hécio Machado | Volante, vindo do Criciúma |
| 30 | Milagros | Milagros Barrios | Meia armador, veio do Defensor Sporting (Uruguai) |
| 32 | Damian | Damian Lince | Centroavante, vindo do Bragantino |
Por Claudia Neuralli
Há histórias no futebol que nos fazem refletir sobre a natureza cíclica da vida, sobre como o tempo pode ser simultaneamente cruel e generoso. A trajetória do Esporte Clube Juventude no Campeonato Bardileiro é uma dessas narrativas que tocam a alma, uma lição de humildade, perseverança e renascimento que transcende as quatro linhas.
Fundado em 1913, em pleno coração da serra gaúcha, o Juventude carrega em seu nome a promessa eterna da renovação. As cores branco e verde, que remetem às vinhas e à neve dos invernos caxienses, sempre simbolizaram pureza e esperança. O mascote Periquito, adotado nos anos 1950, jamais pareceu tão apropriado para um clube que aprendeu a voar nas alturas e, depois de uma queda dolorosa, reencontrou suas asas.
A entrada no Campeonato Bardileiro, em 1982, foi um batismo de fogo. O rebaixamento na primeira participação poderia ter desencorajado qualquer dirigente, mas o Juventude mostrou desde cedo sua têmpera serrana. A resposta veio no ano seguinte: título da Série B e retorno imediato à elite. Era o prenúncio de algo especial que estava por vir.
O que se seguiu foi uma das páginas mais belas do futebol brasileiro. Por quase duas décadas, entre 1983 e 2002, o Juventude estabeleceu-se como uma das forças mais consistentes da Série A. Não era o mais forte, não tinha o maior orçamento, mas possuía algo que o dinheiro não compra: identidade e união.
Sob o comando do lendário técnico Murilo Barone – que permaneceu no clube por 12 anos, um recorde de longevidade no futebol moderno –, o Juventude desenvolveu um estilo de jogo que se tornou sua marca registrada. Futebol coletivo, solidário, onde cada jogador sabia exatamente seu papel. A defesa comandada pelo zagueiro André Gaúcho e o meio-campo orquestrado pelo genial Elízio Schwarz criaram uma sinfonia que encantou o Brasil.
Os anos 1990 foram de consolidação absoluta. O Juventude nunca brigou pelo título, mas também raramente flertou com o rebaixamento. Ocupava consistentemente posições entre o 5º e o 11º lugar, construindo uma reputação de seriedade e competência que poucos clubes conseguem manter por tanto tempo. Era o time que todos respeitavam, adversário temido pelos grandes e exemplo para os pequenos.
A Montanha-Russa do Alfredo Jaconi – como era carinhosamente chamado o estádio – testemunhou partidas memoráveis. O 3x0 sobre o Flamengo em 1997, com hat-trick do atacante Teobaldo, ficou marcado como uma das maiores zebras da década. A festa da torcida, que lotou as ruas de Caxias do Sul cantando até o amanhecer, simbolizou a paixão genuína de um povo por seu time.
Mas o futebol, como a vida, é feito de ciclos. O rebaixamento de 2002 chegou como um raio em céu azul, interrompendo bruscamente uma era de ouro. O que parecia ser apenas um tropeço se transformou na mais dolorosa queda livre da história do clube. Entre 2002 e 2011, o Juventude despencou da Série A até a Série E, uma descida vertiginosa que testou a fé dos mais fiéis torcedores.
Foram anos sombrios, marcados por crises administrativas, êxodo de talentos e uma sensação crescente de que o tempo havia passado para o clube da serra. A torcida, outrora numerosa e vibrante, reduziu-se a um núcleo duro de apaixonados que se recusavam a abandonar o barco. O Estádio Alfredo Jaconi, que já recebeu 30 mil pessoas, ecoava vazio, testemunha silenciosa de um sonho que parecia ter chegado ao fim.
A virada começou em 2012, na Série E. Não foi um despertar súbito, mas um processo lento e doloroso de reconstrução. O retorno à Série D naquele ano marcou o primeiro passo de uma caminhada que duraria uma década. Cada divisão vencida era celebrada como se fosse um título mundial, porque representava muito mais que pontos na tabela: era a prova de que o Juventude não havia morrido.
O título da Série C em 2017 foi o momento da catarse. No Alfredo Jaconi lotado pela primeira vez em anos, a torcida chorou, riu e cantou como nos velhos tempos gloriosos. O técnico Rezende, ex-jogador do clube que aceitou o desafio de conduzir a recuperação, tornou-se herói instantâneo ao declarar: "Este não é apenas um título, é a prova de que quem tem raiz não morre."
O retorno à Série A em 2022 fechou o ciclo de uma das maiores ressurreições do futebol brasileiro. Vinte anos depois do rebaixamento fatídico, o Periquito voltou a voar nas alturas da elite nacional. A festa nas ruas de Caxias do Sul foi emocionante: três gerações de torcedores se abraçaram, alguns chorando por terem presenciado toda a saga, outros celebrando o primeiro acesso de suas vidas.
Hoje, estabelecido novamente na Série A, o Juventude representa muito mais que um clube de futebol. É símbolo de resistência, prova viva de que no futebol – assim como na vida – não importa o quão fundo você caia, sempre é possível recomeçar. A lição deixada pelo clube da serra é cristalina: com trabalho, persistência e fé, até mesmo os sonhos mais impossíveis podem se tornar realidade.
O Esporte Clube Juventude nos ensina que a verdadeira grandeza não está apenas nas conquistas, mas na capacidade de se reinventar após as derrotas. Como canta a torcida alvirrubra: "Juventude, orgulho do Rio Grande, tua história é de lutar sempre!" E que luta bonita tem sido essa trajetória.