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Este conteúdo é parte do universo ficcional da novela Mastim, que se passa em uma realidade alternativa onde o futebol brasileiro seguiu um caminho divergente há 40 anos. Todos os times, personagens e eventos são criações fictícias. Nomes de clubes reais são usados apenas para ambientação, sem qualquer associação ou endosso pelos detentores das marcas originais.

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Bardileirão 2025

Disputa a Série C. Camisa da Qmyz. Patrocinadora master Sepaimo.

Camisa Nome Nome Completo Detalhes
2 Diogo Diogo Halbuquerque Lateral reserva, vindo do Sport
3 Philipe Philipe Pinto Zagueiro, vindo do Pouso Alegre
5 João Rodrigo João Rodrigo Volante, veio do Ituano
7 Ramello Leez Ramello Leez Ponta direita, veio do ASEC Mimosas, Costa do Marfim
8 Pedro Play João Pedro Tetzchner Meia, de base
10 Petro Peterson Ximenes Meia, ex-Itacoatiara
13 Mike F Mike Flores Lateral vindo do Santos
18 Xênio Xênio Tietê Meia
20 Diego Hamada Diego Hamada Centroavante, ex-Itabirito
21 Cicero Cicero Couto Meia armador, vindo do Tombense
25 Peixe David Peixoto Zagueiro, jogava no Taubaté
26 Deni Nícolas Denilson Lateral, jogou no Caxias

A Barracuda que Aprendeu a Nadar: A Ascensão Tardia do Ouro Grená

Por Claudia Neuralli

No universo do futebol bardileiro, onde histórias de glória precoce e quedas dramáticas dominam as manchetes, o Ouro Grená de Dourados representa um fenômeno raro e inspirador: a ascensão tardia. Fundado em 1981 no coração de Mato Grosso do Sul, o clube das cores grená e dourada construiu uma trajetória que desafia todos os padrões convencionais do futebol brasileiro, provando que nunca é tarde demais para sonhar grande.

Por mais de três décadas, a "Barracuda" - como é conhecida pela torcida douradense - nadou em águas turbulentas das divisões inferiores, acumulando frustrações e aprendendo, temporada após temporada, as lições que a transformariam no fenômeno dos anos 2010. Entre 1982 e 2014, o Ouro Grená oscilou constantemente entre as Séries D e E, flertando ocasionalmente com a Série C, mas sempre retornando ao seu habitat natural nas divisões menores.

O único momento de glória desse longo período veio em 1995, quando conquistou o título da Série E - até hoje, a única taça dos troféus do clube. Sob o comando do técnico Joselito Drumão, que havia chegado a Dourados após uma carreira meteórica como jogador, o time construiu uma campanha sólida baseada na experiência de veteranos como Luizinho Perezo, então com 40 anos, que aceitou o desafio de "ensinar futebol no interior" durante sua última temporada como profissional.

A conquista de 1995 trouxe esperanças de que finalmente o clube havia encontrado seu caminho. Porém, as duas décadas seguintes reservariam mais frustrações. O Ouro Grená se tornou especialista em campanhas de acesso que não se consumavam - foram três vice-campeonatos da Série D (1997, 2004 e 2016) que deixaram marcas profundas na alma da torcida barracuda. O mais doloroso foi em 2004, quando perdeu a final nos pênaltis para o Vila Nova-GO, desperdiçando a chance de chegar à terceira divisão pela primeira vez em sua história.

Foi em 2012 que começou a se desenhar a revolução silenciosa que transformaria o clube. A chegada do empresário Clemente Kanaã à presidência trouxe não apenas recursos financeiros, mas principalmente uma visão de longo prazo que o futebol sul-mato-grossense jamais havia experimentado. Kanaã, que havia feito fortuna no agronegócio, implementou um projeto baseado na formação de jogadores locais e na contratação de profissionais experientes para funções técnicas e administrativas.

O ponto de virada veio em 2015, quando o clube contratou o técnico Arnaldo Novaes - então livre após passagem pela seleção brasileira feminina - para comandar o time na Série E. Naldão trouxe consigo uma metodologia moderna e, principalmente, a capacidade de extrair o máximo potencial de elencos limitados. O volante Elias, revelado nas categorias de base do clube, emergiu como líder daquela equipe que iniciaria a mais impressionante ascensão da história do futebol sul-mato-grossense.

Entre 2015 e 2018, o Ouro Grená protagonizou uma escalada que chamou atenção de todo o país. Em apenas três anos, subiu da quinta divisão diretamente para a Série B, estabelecendo um recorde de crescimento sustentado no futebol bardileiro. A campanha de 2017, que garantiu o acesso à segunda divisão nacional, foi particularmente memorável: o time de Naldão jogou 38 partidas, venceu 28 e sofreu apenas 12 gols em toda a temporada.

O auge veio em 2018, na estreia histórica na Série B. Longe de ser apenas figurante, o Ouro Grená surpreendeu ao terminar em quinto lugar, flertando com o acesso à elite até as últimas rodadas. O atacante Alessandro Gama, emprestado pelo CRB, foi o artilheiro da equipe com 23 gols, enquanto o volante Elias - agora capitão e ídolo absoluto - comandava um meio-campo que impressionava pela organização tática e pela garra.

Durante seis temporadas consecutivas (2018-2023), a Barracuda se estabeleceu como uma das forças da Série B, nunca flertando com o rebaixamento e sempre sonhando com algo maior. O Estádio Douradão, que nos anos 1990 recebia públicos de mil pessoas, passou a registrar lotações de 15 mil torcedores nos jogos decisivos, transformando-se em uma das praças mais temidas pelos visitantes.

A filosofia do clube durante essa era dourada se baseava em três pilares: formação de base sólida, contratações cirúrgicas e estabilidade técnica. Vadão permaneceu no comando por oito anos, um recorde de longevidade no futebol moderno, criando uma identidade tática reconhecível e respeitada em todo o país. O sistema defensivo do Ouro Grená se tornou referência, com a equipe frequentemente figurando entre as defesas menos vazadas da segunda divisão.

O fim do ciclo veio em 2023, quando o clube foi rebaixado à Série C após uma temporada atípica marcada por lesões e pela saída de peças importantes do elenco. A despedida da Série B foi emocionante: no último jogo em casa, mais de 20 mil torcedores lotaram o Douradão para uma festa que misturava tristeza pela queda e gratidão pelos anos mágicos vividos.

Hoje, de volta à Série C em 2024, o Ouro Grená trabalha para uma nova reconstrução. Aos 43 anos de fundação, o clube provou que é possível crescer de forma sustentada no futebol brasileiro, mesmo partindo das divisões mais baixas. A Barracuda pode ter saído temporariamente das águas mais profundas, mas deixou uma lição valiosa: no futebol, como na vida, a persistência e o planejamento podem superar qualquer adversidade.

A história do Ouro Grená é a prova de que não existem clubes pequenos, apenas projetos mal planejados. Em Dourados, uma cidade que poucos brasileiros conseguem localizar no mapa, nasceu um dos exemplos mais inspiradores de como o interior pode sonhar - e realizar - grandes feitos no futebol nacional.