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Este conteúdo é parte do universo ficcional da novela Mastim, que se passa em uma realidade alternativa onde o futebol brasileiro seguiu um caminho divergente há 40 anos. Todos os times, personagens e eventos são criações fictícias. Nomes de clubes reais são usados apenas para ambientação, sem qualquer associação ou endosso pelos detentores das marcas originais.

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Bardileirão 2025

Disputa a Série C. Camisa da Hildr. Patrocinadora master Zebu Farm.

Camisa Nome Nome Completo Detalhes
2 IC Isaac Campos Veio do Amazonas
5 Artur Artur Guedes Veio do CRETA
7 Quadros Sebastião Quadros Capitão, da base
11 Murilo Murilo Passos Meia armador
13 Henrik Cordeiro Henrik Cordeiro Lateral, vindo do Avaí
16 Hipólito Hipólito Gonçalves Lateral, da base
20 Fredinho Alfredo Saraiva Ponta vindo do Vitória
22 Humberto Humberto Avila Ponta, vindo do Cricatis
23 Francisco Francisco Almeida Goleiro da base
25 Douglas Douglas Rosário Zagueiro
28 Amario Amario Wanderley Volante vindo do Atlético-PI
43 Davi Davi Moreira Centroavante, vindo do Maricá

Titãs do Norte: A Saga Amazônica do Clube de Alto Alegre

Por Claudia Neuralli

Na vastidão amazônica de Roraima, onde o Brasil encontra as Guianas e os horizontes se perdem na imensidão verde, nasceu em 1981 um projeto futebolístico tão audacioso quanto poético. A Associação Titã de Futebol surgiu em Alto Alegre como uma metáfora viva: se a cidade era um "titã bem-humorado" encravado no extremo norte do país, seu clube de futebol seria a materialização dessa força gigantesca e alegre.

Poucos imaginavam, naqueles primeiros anos da década de 80, que aquele pequeno clube vermelho se tornaria protagonista de uma das sagas mais fascinantes do futebol bardileiro. Começando na humilde posição 16 da Série E em 1982, o Titã protagonizou não uma, mas duas ascensões meteóricas que desafiaram todas as lógicas geográficas e econômicas do nosso campeonato.

A primeira grande escalada começou em 1986, quando o técnico Eraldo Medina – então um jovem estrategista formado nas categorias de base do Internacional – chegou a Alto Alegre com uma proposta revolucionária: transformar as limitações geográficas em vantagens táticas. O isolamento de Roraima, que dificultava a contratação de estrelas, forçou o clube a investir pesadamente em sua base. Foi dessa filosofia que nasceu o primeiro título, o campeonato da Série E de 1986.

O elenco daquela campanha histórica tinha no zagueiro Percival, com marcante elegância defensiva, seu líder técnico e emocional. No meio-campo, o jovem Netuninho, nascido nas margens do Rio Branco, conduzia o time com uma visão de jogo que impressionava os observadores que faziam a longa jornada até Alto Alegre. O ataque era comandado pelo artilheiro Jotalhães, um centroavante habilidoso que aprendeu a jogar futebol descalço nos campos de várzea da cidade.

A ascensão vertiginosa continuou com vice-campeonatos consecutivos da Série D (1987) e Série C (1988), até que o grande momento chegou em 1989. O título da Série B foi conquistado de forma épica, com o técnico Wallace dos Reis implementando um futebol de posse de bola que surpreendeu todo o país. A final contra o Operário-PR, decidida no Estádio Gigante do Norte – como a torcida carinhosamente batizou o modesto estádio municipal –, permanece na memória como uma das partidas mais emocionantes da história do campeonato.

Os anos 90 consagraram o Titã como força estabelecida do futebol nacional. Por oito temporadas consecutivas (1990-1997), o Dragão Vermelho se manteve na elite, com o ponto alto vindo em 1992, quando terminou em 4º lugar sob o comando do genial Max testa. O veterano técnico encontrou em Roraima a tranquilidade necessária para desenvolver seu futebol-arte, tendo no meio-campista Eron Tadeu – que escolheu ficar no Brasil após recusar propostas europeias – seu principal intérprete.

A primeira queda, quando veio em 1998, foi tão súbita quanto devastadora. Uma sequência de lesões e a saída de peças-chave levaram o clube a um rebaixamento que abriu as comportas para uma descida livre até a Série E em 2002. Foram anos sombrios, quando o isolamento geográfico se transformou de vantagem estratégica em obstáculo quase intransponível.

A reconstrução veio pelas mãos do técnico Daniel Tadeu Quintana em 2006. O gaúcho, encantado pela hospitalidade roraimense e pela paixão da torcida, implementou um projeto de longo prazo baseado novamente nas categorias de base. O segundo título da Série E, em 2008, marcou o início da segunda era dourada do clube.

A nova geração de talentos amazônicos era ainda mais impressionante que a primeira. O volante Milton Bórea, produto da escolinha do clube, combinava força física com refinamento técnico de forma única. Ao lado dele, o meia-atacante Aderbal do Norte – descoberto por acaso durante um torneio interestadual – encantava com dribles desconcertantes e passes milimétricos. No ataque, o centroavante Raoni Trivela, formado inteiramente nas divisões de base do Titã, tornou-se ídolo absoluto da torcida.

O bicampeonato bardileiro de 2016-2017 foi o coroamento dessa nova geração. Sob o comando do técnico Eduardo Henrique Tavares – que chegou a Alto Alegre após uma passagem bem-sucedida pelo futebol chileno –, o Titã apresentou um futebol ofensivo e envolvente que conquistou o Brasil. A campanha de 2016 foi construída sobre uma defesa sólida comandada pelo zagueiro Kauã Selva e um meio-campo criativo que tinha em Aderbal do Norte seu maestro absoluto.

O segundo título, em 2017, confirmou que não se tratava de acaso. O atacante Raoni Trivela terminou como artilheiro do campeonato com 28 gols, enquanto a dupla de volantes Milton bórea e Hélio – outro produto da base – dava sustentação para um futebol que mesclava intensidade física com requinte técnico.

A queda atual, iniciada em 2021, é vista pelos analistas como natural após o ciclo vitorioso. A saída de Tavares e a venda dos principais jogadores para clubes do centro-sul criaram um vácuo que o clube ainda tenta preencher. Atualmente na Série C, o Titã trabalha com o técnico Elano Torres na reconstrução de mais um projeto baseado nas categorias de base.

Nas arquibancadas do Estádio Gigante do Norte, a torcida vermelha não esmoreceu. O grito de guerra "Titã do Norte, força e alegria!" ecoa pela cidade de Alto Alegre como um lembrete de que, em Roraima, os sonhos não conhecem fronteiras geográficas.